Sobre colheitadeiras de grãos e médios agricultores

Imagem: http://www.sampo-rosenlew.fi

Há vários anos todas as fábricas de colheitadeiras estabelecidas no Brasil desativaram sua produção de máquinas de “pequeno” ou médio porte. Refiro-me a larguras de plataforma de corte de 3,6 até 4,5 metros. As chamadas classe 3, 4 e 5. Os pequenos e principalmente os médios produtores de cereais e oleaginosas (média propriedade: o imóvel rural de área superior a 4 e até 15 módulos fiscais. 260 a 975 ha em Unaí-MG, ou 72 a 270 ha em Toledo-PR) ficaram desassistidos de máquinas de boa qualidade a serem adquiridas novas. Resta então a compra de máquinas usadas, muitas vezes muito usadas, de origem incerta e da baixa confiabilidade. E, sabemos, a confiabilidade numa máquina de colheita é essencial. A colheita é um momento em que a máquina não pode falhar.

A concentração de produção agrícola no Mato Grosso, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul e, que de acordo com levantamento da Conab representa 67% da safra nacional de grãos, se deve, segundo Sávio Pereira, secretário substituto de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, à alta tecnologia e a disponibilidade de terras nesses estados. Os dois últimos citados são tipicamente Estados de médios produtores rurais.

Entenda-se que o mercado das máquinas pequenas não é tão lucrativo quando o das grandes, onde o produtor mais tecnificado está disposto a pagar valores maiores com maior valor agregado (com maior lucratividade aos fabricantes). Resta pois o mercado dos médios produtores como nicho a ser coberto por fabricantes emergentes ou mesmo novos no mercado brasileiro. São mais de 100.000 propriedades de médio porte no Brasil que produzem soja e/ ou milho. Parece-me um mercado interessante a descobrir, ainda que como nicho, para uma indústria que fabrica na ordem de 5.000 ou 6.000 colheitadeiras por ano.

Para nossa satisfação ao menos uma fábrica “nova” de tratores (embora presente no mercado há 3 ou 4 anos) já anunciou que vai introduzir colheitadeiras a médio prazo. Certamente outras virão. Ou as “grandes” vão revisar seu portfolio e voltar a produzir máquinas menores, acessíveis e adequadas ao médio produtor de grãos? O tempo dirá…